7. ECONOMIA E NEGCIOS 15.5.13

1. A VOZ DOS EMERGENTES
2. INOVE AO APLICAR EM AES

1. A VOZ DOS EMERGENTES
Os bastidores da escolha do baiano Roberto Azevdo para a direo-geral da OMC e por que sua vitria coloca o Brasil no centro da diplomacia mundial
por Paulo Moreira Leite

A experincia poltica ensina que as derrotas so rfs e as vitrias possuem inmeros pais adotivos. Mas a conquista da direo-geral da Organizao Mundial de Comrcio, uma das grandes vitrias da diplomacia brasileira desde a Independncia, em 1822, possui padrinhos legtimos. Baiano de Salvador, engenheiro e diplomata de 55 anos, Roberto Azevdo assume o cargo para cumprir um mandato de quatro anos, aps vitria sobre oito concorrentes, inclusive o mexicano Hermnio Blanco, adversrio na ltima fase de negociaes. Num universo de consultas confidenciais, encerrado na semana passada, Azevdo foi escolhido com apoio amplo. Recebeu dois teros dos 159 votos possveis. Seu nome teve respaldo decisivo dos pases emergentes, hoje o motor dinmico da economia mundial, e recebeu a adeso de naes pobres de vrios pontos do mundo, em particular da Amrica Latina e da frica, prioridades que o Itamaraty passou a cultivar no perodo em que o presidente Luiz Incio Lula da Silva e o chanceler Celso Amorim dirigiam a diplomacia brasileira. O apoio a Hermnio Blanco foi forte junto aos pases desenvolvidos, mas menor do que se supunha. Os Estados Unidos ficaram at o fim com a candidatura de um parceiro do Nafta, o acordo de livre comrcio da Amrica do Norte, mas mostraram empenho nulo para pressionar pases que, em troca de concesses e benefcios, poderiam abandonar Azevdo. Entre os europeus, a oposio da Inglaterra e da Sucia ao candidato brasileiro foi mais dura do que se esperava em Braslia, mas, s voltas com uma crise econmica prolongada, a unidade europeia demonstrou pouca solidez. Aliaram-se  candidatura brasileira aqueles pases que enfrentam o lado mais amargo do desemprego e da recesso, como Portugal, Itlia, Portugal, Blgica, Romnia, Bulgria.

PIONEIRO - Azevdo durante entrevista em Genebra, na quarta-feira 8: primeiro latino-americano a ocupar o cargo
 
A vitria de Roberto Azevdo s foi possvel neste mundo desordenado que nasceu aps o colapso de 2008. Criada depois da Segunda Guerra com outro nome (Gatt), a OMC enfrenta hoje o mais dramtico perodo de sua existncia, quando at sua capacidade de tomar medidas produtivas para ampliar o comrcio internacional  colocada em dvida. Interrompida na dcada passada por falta de bases mnimas para um acordo comercial, a Rodada Doha , para muitos governos, mais uma lembrana onrica do que uma opo real. Numa postura que reflete o grau de desenvolvimento de cada pas, todos na legtima disputa por mercados que ajudam a criar empregos e manter o crescimento, a diviso ocorrida na escolha do novo diretor-geral reflete pontos de vista diferentes e, s vezes, opostos. Com um parque produtivo consolidado, tecnologia avanada e mo de obra formada, a maioria dos pases desenvolvidos busca, de qualquer maneira, abrir espao para seus produtos, atitude que explica sua preferncia por acordos bilaterais nos quais se negociam barreiras, pas a pas, e se fazem concesses que cada parte consegue arrancar da outra. J os emergentes e seus pares preferem negociaes multilaterais, a partir da viso elementar de que a unio dos mais fracos costuma ser um estmulo irresistvel  boa vontade dos mais fortes. Segundo os especialistas consultados por ISTO, o Brasil e os pases emergentes tm interesse em fortalecer a OMC, porque  s nesse mbito que podero tratar de subsdios agrcolas, principalmente com a Unio Europeia. Nesse caso, os pactos bilaterais no so suficientes. O Brasil mostrou que tem um poder de influncia grande entre os pases em desenvolvimento, diz Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comrcio Exterior da Fiesp.

No debate real dos bastidores, palavras como protecionismo e livre comrcio, em vez de serem tratadas na categoria de valores morais, acabam decodificadas como medidas de defesa de renda e empregos, seja pelos altssimos subsdios de pases desenvolvidos para proteger seu agronegcio, seja pelas barreiras negociadas pelas naes pobres e mdias, entre estas o Brasil. O novo diretor-geral firmou reputao como negociador competente e ponderado em funo de dois episdios definidores. Num contencioso sobre barreiras  exportao de algodo, obteve uma rarssima derrota americana. Em outra disputa, venceu europeus no acar. Discpulo das ideias de Celso Amorim, expresso do pensamento nacionalista do Itamaraty, Azevdo deixar, na direo-geral da OMC, de responder pelos interesses particulares do Brasil, para adquirir a identidade contempornea de alto executivo de instituies internacionais. O importante para Azevdo  se desvincular dos interesses do Brasil, diz Ana Caetano, scia do Veirano Advogados, escritrio com experincia em comrcio exterior.

Ensina a crnica de Braslia que Roberto Azevdo foi o grande protagonista de sua vitria. Em 2011, aps um conjunto de conversas exploratrias em Genebra, onde representava o Brasil na entidade que agora ir dirigir, ele concluiu que havia espao para uma candidatura emergente. Exps a anlise ao ministro das Relaes Exteriores, Antnio Patriota, que levou a ideia a Dilma Rousseff. A presidenta no s aderiu  proposta como mobilizou o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento Industrial, e outros cinco ministros para deixar claro que o Planalto iria lutar at o fim pela candidatura. Dilma discutiu o apoio a Azevdo em absolutamente todos seus encontros diplomticos. O candidato foi levado em viagens para 86 pases e, em Braslia, Patriota reuniu 24 auxiliares para o corpo a corpo internacional, boa parte remanescentes de outra vitria diplomtica recente, a escolha de Jos Graziano para dirigir a FAO, diviso da ONU para combater a fome no mundo. O comando da estratgia de Dilma foi entregue ao embaixador Ruy Pereira, que combinava o conhecimento diplomtico com um trao especialmente til para misses globais. Padecendo de insnias prolongadas,  o cidado ideal para consultas e conversas no fuso horrio do outro lado do mundo. No ltimo fim de semana, a escolha de Azevdo j era considerada irreversvel em Braslia. Se existe algum capaz de enxergar e propor alternativas slidas ao comrcio global  o Roberto, afirma Paulo Estivallet, chefe do Departamento Econmico do Ministrio das Relaes Exteriores. Essa  uma vitria da diplomacia brasileira.

Antnio Patriota, ministro das relaes exteriores, acumula outra vitria diplomtica recente: a indicao de Jos Graziano para a ONU


2. INOVE AO APLICAR EM AES
Para atrair investidores, a bolsa de valores cria produtos mais acessveis. Descubra a modalidade mais adequada ao seu perfil e multiplique seus ganhos
por Fabola Perez

Nos ltimos anos, os clubes de investimentos facilitaram a vida de quem tinha planos de ingressar na bolsa de valores. A proposta de reunir amigos interessados em diversificar as aplicaes ganhou uma legio de adeptos. A nova regulamentao da Comisso de Valores Mobilirios (que reduziu o nmero de scios de 150 para 50) provocou, porm, um recuo nessa modalidade de investimento. Os custos de manuteno aumentaram, diminuindo o apetite dos aplicadores, diz Michel Viriato, professor de finanas do Insper. A novidade  que uma nova forma de investimento comeou a se popularizar no Brasil: os fundos de ndice, conhecidos como ETFs (Exchange Traded Funds). Em vez de adquirir aes de diferentes empresas, o investidor pode compor uma carteira diversificada, a um custo menor, afirma Guilherme Pimentel, gerente de produtos e servios da BM&FBovespa. Para o gerente da corretora gora, Hlio Pio, outra vantagem  que as ETFs apresentam um risco menor. O investidor pode escolher o setor de mercado em que tem mais afinidade para aplicar.

